O paciente muitas vezes nem percebe, mas para o dentista que fica exposto diariamente aos ruídos dos equipamentos de seu consultório, o risco de sofrer perda auditiva é grande. A sigla PAIR, que significa “perda auditiva induzida por ruído”, assombra e afeta os profissionais de odontologia e é bom ficar atento, pois pode levar à surdez aguda e tem característica irreversível. Não existe até o momento tratamento para a doença.
A PAIR ocorre devido a um histórico de prolongada exposição ao ruído de alta intensidade e tem evolução gradual e progressiva. A perda auditiva acontece quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células do ouvido e tem início em frequências altas, geralmente em 4000 Hz. Cessada a exposição ao ruído, o problema tende a se estabilizar.
Alguns sintomas da doença, entre outros:
- Perda auditiva
- Dificuldade de compreensão de fala
- Zumbido
- Intolerância a sons intensos
- Cefaleia
- Tontura
- Irritabilidade e problemas digestivos
Para o dentista e mestre da saúde Renato José Berro e a Fonoaudióloga Katia Nemr, autores da tese de mestrado “Avaliação dos ruídos em alta frequência dos aparelhos odontológicos”, o consultório é mesmo um ambiente ruidoso. Utilizando um analisador de frequência que mediu as faixas de 4.000 Hz a 8.000 Hz e um boneco simulador de pacientes para praticar as intervenções, chegaram à conclusão de que além do equipamento de alta rotação, outros aparelhos – como compressor, sugador, seringa de ar, ultra-som, jato de bicarbonato e micromotor – emitem ruídos de alta frequência e apresentam intensidade acima de 65 db.
Os especialistas afirmam que, embora seja o ruído o agente mais comum no consultório odontológico, os esforços no seu controle têm sido limitados.





